quinta-feira, 27 de julho de 2017

Me before you

Parei pra pensar o título do filme "Como eu era antes de você", olhando de um ponto de vista cristão. E questionei: "Deus, como eu era antes do Senhor? Antes do seu amor me encontrar?".
É muito interessante se fazer essa pergunta. O verdadeiro evangelho traz transformação. Quem teve um encontro real com Cristo, muda. Isso porque é impossível agradar a Deus vivendo da maneira que vivíamos sem Ele.
Pois a biblia diz que "O amor consiste em obediência a palavra de Deus" (2 João 16). De modo que quem realmente o ama, se esforça para ser obediente e por obediência, mudamos. "Quem está em Cristo nova criatura é (2 cor 5:17)
Mudamos a maneira de falar, a nossa forma de reagir ao que acontece ao nosso redor, nossa maneira de tratar as pessoas e de ver o mundo. Mudamos amizades que nos afastam de sua presença nos afastando delas e nos aproximando de quem nos aproxima Dele. Deixamos de ir a lugares onde sabemos que podemos tropeçar. Abandonamos hábitos que sabemos que O desagradam.
Perguntar-se "quem eu era antes de Deus" é fundamental pra avaliarmos o que nós já conseguimos melhorar em relação ao que fomos e ver o longo caminho a ser trilhado pela frente em direção a quem devemos ser. A quem Ele quer que sejamos.
Buscar Jesus é um exercício diário de tentativas, erros e acertos. O importante é sempre tentarmos ser melhores do que éramos antes para assim estarmos mais perto Dele a cada dia.
Ele nos diz "venham como estão" (2Pe 3:18) mas não permite que continuemos como estamos.

Do not do gentle into that good night

"Não adentre a boa noite apenas com ternura
A velhice queima e clama ao cair do dia
Fúria, fúria contra a luz cujo esplendor já não fulgura."
Depois de ler esse trecho da poesia de Dylan Thomas, pensei no capitulo 5 de Mateus, a partir do versículo 14: "Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; Nem se acende a candeia e se coloca debaixo da cama, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus." Depois de comparar os dois, cheguei a conclusão de que esta poesia poderia muito bem ser uma resposta de Deus. Resposta a todos aqueles que como cristãos, não são luz. Não são porque não falam sobre a palavra e sobre a salvação, não tem compaixão das pessoas, são mentirosos, blasfemos, desonestos e principalmente porque não transparecem o amor de Cristo em suas vidas. Cristãos com discursos de ódio, com atitudes más, egoístas, que não estendem a mão a quem precisa. Tudo isso gera algo contrário a luz, contrário as boas obras citadas por Mateus, que eu quero chamar de mal testemunho. Claro que ninguém é perfeito, nenhum de nós nunca vai conseguir deixar de errar. Mas devemos tentar ser imitadores de Jesus, como Paulo propôs. Quando nem tentamos ser melhores, e, nos dizendo "crentes" ignoramos os princípios de Deus, desobedecemos expressamente o que esse capitulo propõe. Pois o que as pessoas veem em nós não é um convite a mudança de vida, o que elas veem em nós não as atraem para o evangelho e para a Graça nem as fazem ver em nós um Deus digno de adoração, mas as distanciam. Elas olham e veem pessoas como todas as outras, e por dizerem crer em algo e agir de outra maneira, até piores, pela hipocrisia. Nesse momento, somos a luz que já não fulgura. Não podemos adentrar a boa noite, a morte, apenas com ternura. Apenas tendo ido a igreja todos os domingos exaltar um evangelho que não vivemos, e dizendo que Jesus é nosso salvador sem nos submetermos a ele. Pois a velhice queima e clama ao fim do dia quanto a tudo que não fomos, não fizemos ou fizemos errado. Corremos o risco de perceber que fomos por toda a vida uma luz que não brilhou, pois ninguém viu a glória de Deus através dela. Antes, fomos uma candeia colocada em baixo da cama. Corremos o risco de um dia nos encontrarmos face a face com Deus e vermos em seu rosto apenas fúria. Fúria contra a luz cujo esplendor já não fulgura.

Os cuidados de Deus

Sentada na minha loja observando quem passa, vejo um menino de aproximadamente 5 anos e sua mãe passarem.
Ele anda olhando pros lados, pra cima, se demorando mas sem prestar muita atenção em nada. A mãe vai puxando, quase que arrastando o menino absorto na paisagem, sem o menor esforço. Ela esta simplesmente andando.
Enquanto andam, ele se vira para olhar a vitrine, quase parando totalmente de frente pra ela, como quem viu algo pelo qual vale a pena parar no meio do caminho. Mas a mãe continua andando como se nada tivesse acontecido, levando o menino pra onde ele deve ir. Ele, por sua vez, nem olhava pra ela, mas seguia sua direção.
Observando isso, cheguei a conclusão que nós somos o menino e Deus é a mãe. Muitas vezes não temos ideia do que estamos fazendo ou pra onde estamos indo durante a vida. Olhamos em volta, distraídos por todos os acontecimentos e prazeres, tudo que achamos digno de ser olhado. Mas as vezes, paramos em frente a uma vitrine. As vezes, algo é maior em nós do que todo o resto que está ao redor, algo finalmente parece ser digno de atenção e temos vontade de parar e ficar ali mesmo apreciando aquele amor, aquele momento, aquele emprego, aquelas amizades... Mas Deus, em sua infinita sabedoria, sabe que ainda temos um caminho a percorrer até chegarmos onde ele sonhou pra nós, como a mãe sabe que precisa levar o filho pra casa embora ele não se de conta disso.
Devemos ser como esta criança, que apesar de relutante em deixar pra trás o brilho encantador da vitrine e de, ao mesmo tempo, parecer nem notar a mãe que o está conduzindo para longe dali, confia nela e segue o chamado de quem ele sabe que é digno de confiança.
Que possamos confiar no caminho para o qual o Senhor nos conduz.