"Não adentre a boa noite apenas com ternura
A velhice queima e clama ao cair do dia
Fúria, fúria contra a luz cujo esplendor já não fulgura."
Depois de ler esse trecho da poesia de Dylan Thomas, pensei no capitulo 5
de Mateus, a partir do versículo 14: "Vós sois a luz do mundo; não se
pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; Nem se acende a
candeia e se coloca debaixo da cama, mas no velador, e dá luz a todos
que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para
que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos
céus."
Depois de comparar os dois, cheguei a conclusão de que esta poesia
poderia muito bem ser uma resposta de Deus. Resposta a todos aqueles que
como cristãos, não são luz. Não são porque não falam sobre a palavra e
sobre a salvação, não tem compaixão das pessoas, são mentirosos,
blasfemos, desonestos e principalmente porque não transparecem o amor de
Cristo em suas vidas. Cristãos com discursos de ódio, com atitudes más, egoístas, que não estendem a mão a quem precisa. Tudo isso gera algo
contrário a luz, contrário as boas obras citadas por Mateus, que eu
quero chamar de mal testemunho. Claro que ninguém é perfeito, nenhum de
nós nunca vai conseguir deixar de errar. Mas devemos tentar ser
imitadores de Jesus, como Paulo propôs.
Quando nem tentamos ser melhores, e, nos dizendo "crentes" ignoramos os princípios de Deus, desobedecemos expressamente o que esse capitulo
propõe. Pois o que as pessoas veem em nós não é um convite a mudança de
vida, o que elas veem em nós não as atraem para o evangelho e para a
Graça nem as fazem ver em nós um Deus digno de adoração, mas as
distanciam. Elas olham e veem pessoas como todas as outras, e por
dizerem crer em algo e agir de outra maneira, até piores, pela
hipocrisia. Nesse momento, somos a luz que já não fulgura.
Não podemos adentrar a boa noite, a morte, apenas com ternura. Apenas
tendo ido a igreja todos os domingos exaltar um evangelho que não
vivemos, e dizendo que Jesus é nosso salvador sem nos submetermos a ele.
Pois a velhice queima e clama ao fim do dia quanto a tudo que não
fomos, não fizemos ou fizemos errado. Corremos o risco de perceber que
fomos por toda a vida uma luz que não brilhou, pois ninguém viu a glória
de Deus através dela. Antes, fomos uma candeia colocada em baixo da
cama.
Corremos o risco de um dia nos encontrarmos face a face com Deus e
vermos em seu rosto apenas fúria. Fúria contra a luz cujo esplendor já
não fulgura.
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